O garfo caiu: E agora?

O garfo caiu: E agora?

O garfo escorrega, bate no chão e parece fazer mais barulho do que toda a conversa do restaurante. Por alguns segundos, a pessoa não sabe se mergulha debaixo da mesa, disfarça ou interrompe a refeição para pedir desculpas. Quem nunca sentiu um pequeno acidente ganhar proporções enormes?

A boa notícia é que a solução costuma ser mais simples do que o constrangimento sugere. No restaurante, avise discretamente ao garçom e peça outro talher. Não volte a usar o que caiu nem tente limpá-lo com o guardanapo. Se estiver em um local de passagem e puder causar um acidente, recolha-o com cuidado e entregue à equipe, sem colocá-lo sobre a mesa.

Na casa de alguém, basta comunicar o ocorrido e pedir a substituição. Um pedido de desculpas é suficiente. Não é preciso explicar como o garfo escapou nem fazer do episódio o assunto do jantar.

O copo virou? Primeiro, coloque-o em pé, se estiver inteiro, e procure conter o líquido para que não alcance outras pessoas ou objetos. Peça ajuda à equipe ou a quem recebe. Se alguém foi atingido, ofereça ajuda sem tentar esfregar a roupa da pessoa. Quando há vidro quebrado, afaste-se dos cacos e avise, evitando recolhê-los com as mãos.

Há também os imprevistos menos visíveis. Um pedaço de carne que não conseguimos mastigar, por exemplo, não precisa ser engolido à força para preservar as boas maneiras. Retire-o discretamente com o auxílio do garfo e deixe-o na lateral do prato. Se isso for difícil de fazer com discrição, peça licença e vá ao banheiro. Evite escondê-lo no guardanapo, de onde poderá cair depois.

E se o problema estiver com outra pessoa? Um pequeno resíduo no rosto ou entre os dentes pode ser comunicado em voz baixa, sem chamar a atenção dos demais: “Ficou uma coisinha aqui”, indicando em você o local. Avisar com delicadeza poupa o outro de permanecer desconfortável sem saber. Se você receber o aviso, agradeça; quando precisar limpar os dentes, faça isso em um lugar reservado.

Uma tosse inesperada pede que se afaste o rosto da mesa e se cubra a boca com o antebraço ou um lenço. Se persistir, peça licença para se recompor. Para assoar o nariz, prefira sair da mesa e usar um lenço pessoal. O guardanapo da refeição deve continuar dedicado à sua função.

Essas orientações ajudam a resolver o que aconteceu, mas existe outro cuidado igualmente importante: a reação de quem presencia. Risadas, comentários sobre falta de habilidade e histórias de acidentes anteriores podem prolongar um embaraço que já estava encerrado.

Quem recebe pode oferecer outro talher, providenciar um pano ou simplesmente dizer: “Acontece, vamos resolver.” A tranquilidade do anfitrião muitas vezes determina o tamanho que o imprevisto terá.

As boas maneiras não exigem uma refeição sem falhas. Elas nos ajudam a lidar com as falhas quando aparecem.

À mesa, elegância também é permitir que um pequeno acidente continue pequeno.

Por Juliana  Ventura @julianaventuraeu

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