A comparação nas redes sociais está mudando a forma como enxergamos nosso corpo?

A comparação nas redes sociais está mudando a forma como enxergamos nosso corpo?

Por Marissa Freitas, educadora física

Basta abrir as redes sociais para encontrar corpos definidos, barrigas sem marcas, transformações físicas impressionantes e rotinas de treino que parecem funcionar perfeitamente. Para muitas mulheres, acompanhar esse conteúdo pode ser uma fonte de inspiração. Para outras, pode se transformar em uma comparação constante com a própria aparência.

O problema começa quando deixamos de enxergar esses corpos como referências possíveis e passamos a utilizá-los como medida do nosso próprio valor.

Nas redes sociais, vemos recortes da realidade. Fotografias podem ter iluminação, poses, ângulos, filtros e edições. Vídeos também mostram momentos selecionados, não a rotina inteira. Além disso, não conhecemos a genética, a rotina, as condições de saúde, os recursos ou o tempo dedicado àquela transformação.

Ainda assim, muitas mulheres comparam o próprio corpo, em situações reais, com imagens cuidadosamente produzidas. Comparam o corpo diante do espelho com a melhor foto de outra pessoa e acabam sentindo que estão sempre atrás ou que nunca são boas o suficiente.

Essa insatisfação pode influenciar diretamente a relação com o exercício físico.

O treino, que deveria ser uma ferramenta de cuidado com a saúde, pode se transformar em uma tentativa de alcançar um padrão estético difícil de sustentar. Em vez de reconhecer a própria evolução, a mulher passa a enxergar apenas aquilo que ainda gostaria de mudar.

Isso não significa que devemos abandonar objetivos estéticos. Querer emagrecer, ganhar massa muscular ou se sentir melhor diante do espelho é legítimo. A questão é perceber quando a busca por resultados deixa de ser uma escolha e passa a ser alimentada pela comparação e pela insatisfação constante.

O exercício pode nos ajudar a construir uma relação diferente com o corpo. Podemos acompanhar nossa evolução pela força, pela disposição, pela capacidade de realizar movimentos, pela autonomia e pela qualidade de vida. Nem todo resultado precisa ser exibido para ser importante.

Também vale observar como nos sentimos depois de consumir determinados conteúdos. Se um perfil desperta culpa ou insatisfação, talvez seja hora de rever o espaço que ele ocupa. Deixar de seguir, silenciar ou escolher conteúdos mais reais também pode ser autocuidado.

Como educadora física, acredito que cada mulher precisa ter seus próprios objetivos, respeitando sua individualidade e seu momento de vida. O corpo de outra pessoa pode inspirar, mas não deve ser usado como régua para medir o nosso valor.

Seu corpo não precisa se parecer com o de outra mulher para merecer cuidado.

As redes sociais podem inspirar mudanças, mas não devem determinar como nos sentimos em relação a nós mesmas.

Afinal, o melhor resultado não é necessariamente aquele que impressiona quem vê de fora, mas aquele que faz sentido para a vida que queremos construir.

Marissa Freitas

Educadora Física

Instagram: @marissafreitas

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